Revelações sobre engajamento prévio no TSE
Um relatório elaborado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais em mensagens públicas do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Investigação e conclusões
Apesar de não terem sido identificadas fake news específicas nas mensagens públicas do canal, a equipe técnica do TSE detectou riscos operacionais e ressaltou a impossibilidade de transcrever integralmente todos os vídeos vinculados às postagens devido ao prazo exíguo estipulado pela presidência do tribunal.
Engajamento em massa e escalada na audiência
A investigação da área técnica destacou a impressionante escalada na audiência do canal de mensagens, que saltou de aproximadamente 55 mil pessoas em 5 de outubro para 3, 3 milhões no dia 11 de outubro, uma expansão de cerca de 60 vezes em apenas seis dias.
Práticas e estratégias documentadas no relatório
- Engajamento prévio sem visualização: instrução explícita para que os seguidores curtissem, compartilhassem e encaminhassem publicações no Instagram antes mesmo de assistir;
- Ações coordenadas de hashtags: convocação com horários estipulados para impulsionar termos específicos no X (antigo Twitter), a exemplo da tag #LULANAPAULISTA;
- Linguagem militarizada e polarização: uso recorrente de letras maiúsculas, pontos de exclamação e vocabulário bélico, construindo uma narrativa de confronto direto ( nós contra eles ) no cenário eleitoral.
Impasse no TSE e medidas cautelares
O parecer técnico foi requisitado após o ministro Kássio Nunes Marques determinar que a assessoria informasse se havia circulação de conteúdos idênticos aos apontados em representações e se existia atuação coordenada para sua propagação.
Em resposta à mobilização governista e à criação do Exército do Lula, a oposição articulou estratégias semelhantes: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou o canal Tropa do Flávio, que já acumula 1, 4 milhão de seguidores em apoio à campanha liberal.
Enquanto o ministro Kássio Nunes Marques adotou medida cautelar paralela de bloqueio, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o grupo e remeteu o impasse para apreciação do Plenário.