Um Dia de Luto e Reflexão
Na quarta-feira (7), Israel marcou o terceiro aniversário do ataque devastador liderado pelo Hamas, um dia que ficará marcado na história do país como o mais mortífero de todos os tempos. A data foi lembrada com uma série de cerimônias, memoriais e protestos em mais de 400 locais, demonstrando a importância de não esquecer as vítimas e os sobreviventes desse trágico evento.
Cerimônias e Divisões Internas
Em um local que foi palco de um festival de música, a família se reuniu ao redor de fotos de parentes mortos, abraçando-se às 6h29, o momento exato em que os primeiros foguetes foram lançados há três anos. A cerimônia oficial de Estado, liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi marcada por uma declaração de que Israel continuará golpeando o Hezbollah e trabalhará para assinar a paz com o Líbano . No entanto, o aniversário também revelou divisões internas, com um pai de vítimas gritando Vergonha! durante a cerimônia e famílias de sobreviventes optando por se afastar dos eventos governamentais.
Manifestantes e Reivindicações
- Manifestantes contrários ao governo bloquearam a rodovia Ayalon, em Tel Aviv, e exigiram uma comissão estatal de investigação sobre as falhas que permitiram o ataque.
- Uma demanda recorrente dos grupos de vítimas é a criação de uma comissão estatal de inquérito, o mecanismo investigativo mais poderoso da legislação israelense, ao qual Netanyahu tem resistido consistentemente há três anos.
Gaza: Crise Humanitária Persiste
Na Faixa de Gaza, não houve eventos oficiais de comemoração, pois o território ainda está devastado após três anos de ofensiva israelense. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 74 mil palestinos foram mortos desde o início da guerra, sendo cerca de 1.460 desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025.
Consequências da Guerra
Apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, ataques israelenses continuam quase diariamente. Cerca de 90% da população de Gaza, aproximadamente 2 milhões de pessoas, foi deslocada, muitas vezes repetidamente. A maioria vive em vastos acampamentos de tendas em condições precárias, com grande parte das cidades reduzidas a escombros.
Desafios Humanitários
- Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), mais de 13% da população de Gaza vive em locais de deslocamento sujeitos a inundações ou em edifícios inseguros.
- Cerca de 279 mil pessoas estão abrigadas em 400 locais propensos a alagamentos.
- Um relatório do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) alerta que 1, 65 milhão de pessoas em Gaza enfrentarão um quarto inverno em tendas desgastadas e edifícios danificados, expostas à chuva e ao frio.
Disputa Internacional
A ofensiva israelense em Gaza gerou uma disputa internacional sobre se as ações constituem genocídio. Em 2025, uma Comissão de Inquérito da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio, posição defendida por organizações como a Anistia Internacional. Israel rejeita categoricamente a acusação e sustenta que trava uma guerra de autodefesa contra o Hamas.
Consequências Legais
- O caso apresentado pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça continua em curso.
- A Corte Penal Internacional emitiu ordens de captura contra Benjamin Netanyahu, membros de seu gabinete e a cúpula do Hamas.