Visita Surpreendente ao Palácio do Planalto
Registros oficiais de acesso ao Palácio do Planalto, obtidos pela Presidência da República, confirmam que o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, esteve no prédio do Poder Executivo acompanhado de Júlio Cezar, apontado como operador de propinas de interlocutores do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. As informações foram reveladas pela revista Veja em sua edição desta terça-feira.
Reuniões Presenciais e Cobrança de Propina
De acordo com o controle de entrada do Palácio do Planalto, a primeira reunião registrada entre a dupla ocorreu no dia 1º de março de 2024, quando Vorcaro e Júlio Cezar deram entrada na portaria simultaneamente, às 14h33. Em sua proposta de delação, Vorcaro relatou ter se reunido com o ministro Alexandre Padilha e com o então assessor Olavo Noleto.
Encontro em Brasília
Segundo o empresário, em um encontro posterior realizado em sua residência em Brasília, o grupo teria cobrado propina sobre todos os valores que o banco conseguisse captar junto aos fundos de pensão estaduais e federais (como Previ, Petros e Postalis). O objetivo do plano era movimentar montantes bilionários junto às entidades de previdência complementar.
Articulação de Agendas e Visita ao Postalis
Um segundo registro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) aponta que Vorcaro e Júlio Cezar voltaram a ingressar juntos no Palácio do Planalto no dia 3 de abril de 2024, às 17h29. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro revelam que a viagem a Brasília foi organizada pelo lobista.
Indicância de Richard Back para a Presidência do Postalis
Meses após os encontros, o executivo Richard Back, então chefe de gabinete do ministro Alexandre Padilha, foi indicado para assumir a presidência do Postalis. Documentos do Planalto mostram que Vorcaro já havia se reunido com Back no palácio ainda em 2023 para tratar de investimentos.
Recuo das Operações após Vazamento na Imprensa
As investidas do Banco Master junto aos fundos de pensão começaram a ruir em julho de 2024, quando o jornal O Globo revelou que dois gerentes da Caixa Asset haviam sido afastados após emitirem pareceres contrários à compra de Letras Financeiras da instituição.
Reações do Outro Lado
Procurado pela reportagem, Júlio Cezar não retornou às ligações nem respondeu às mensagens encaminhadas. Em notas oficiais divulgadas anteriormente, o ministro Alexandre Padilha refutou categoricamente todas as acusações do empresário. Olavo Noleto também negou qualquer envolvimento em irregularidades ou recebimento de vantagens indevidas.