Um Caso de Corrupção que Vem à Tona
Um escândalo de corrupção veio à tona na última quinta-feira (8), quando foi revelado que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liberou cerca de R$ 30 milhões em espécie para financiar um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Instituto Lula. A medida fazia parte de um esquema de negócios voltado a garantir acesso aos cofres de grandes fundos de pensão de estatais, como Previ, Petros e Postalis.
Os Detalhes do Esquema
De acordo com os áudios e documentos divulgados pela revista Veja, Vorcaro relatou que negociou os pagamentos diretamente com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O banqueiro afirmou que o montante destinado ao documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, e ao Instituto Lula ocorreu de forma irregular.
Os Principais Envolvidos
- Daniel Vorcaro: ex-banqueiro e dono do Banco Master
- João Vaccari Neto: ex-tesoureiro do PT
- Oliver Stone: diretor do documentário Lula
- Augusto Lima: ex-sócio de Vorcaro
- Jaques Wagner: ex-líder do governo no Senado
- Alexandre Padilha: ex-ministro da Secretaria de Relações Institucionais
- Olavo Noleto: secretário-executivo de Padilha
- Júlio: operador petista
Como Funcionava o Esquema
De acordo com Vorcaro, o primeiro encontro com Vaccari estabeleceu que, para obter votos suficientes para o credenciamento do banco junto aos fundos de pensão, seriam necessários adiantamentos em espécie na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões. Além dessa quantia inicial para cobrir as despesas do documentário e repasses ao instituto, Vaccari teria exigido uma taxa de 10% de tudo o que a instituição financeira viesse a captar com os fundos previdenciários.
Os Pagamentos e os Contatos Políticos
Os pagamentos e os contatos políticos foram feitos de forma irregular, segundo Vorcaro. O banqueiro afirmou que obteve ajuda de Padilha, via Olavo Noleto, para marcar reuniões na Petros e na Previ, além de visitar o Postalis. A inclusão oficial do Banco Master na lista exaustiva que autoriza o recebimento de recursos ocorreu em 29 de abril de 2024. No mesmo dia, o operador Júlio cobrou um repasse de R$ 500 mil, valor que foi pago pelo banqueiro.
O Fim do Plano
Apesar dos pagamentos e dos contatos políticos, o plano de captação naufragou. Em julho de 2024, a tentativa do Master de injetar R$ 500 milhões em letras financeiras na Caixa Econômica Federal vazou para a imprensa, fazendo com que os gestores recuassem. Frustrado com a falta de retornos após mais de 12 meses de tentativas, Vorcaro encerrou as conversas em agosto de 2025.
As Reações dos Principais Envolvidos
Os principais envolvidos no caso se manifestaram sobre as acusações. Lula declarou que jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome . Olavo Noleto negou qualquer relação com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Alexandre Padilha também negou possuir qualquer tipo de vínculo com Vorcaro.